Conversas Filosóficas

Eu não conhecia o conceito, isto é, o nome que deram ao conceito, mas realmente é interessante.

A minha curiosidade anda cada vez menor, há um excesso de informação e conteúdo, que hoje em dia eu já interiorizei, que o melhor na maioria dos casos é simplesmente registar a presença e sem sentir necessidade de entende-la.

Estás a conseguir abstrair-te da necessidade de consumir conhecimento de forma compulsiva. Conhecer é bom mas não conhecer também o é. O bom de não conhecer, é que permite-te imaginar (mesmo que a errar) criando uma sensação mística. Essa sensação é interessante, mesmo fazendo parte da “ignorância”. No conteúdo tecnológico, por vezes tenho a impressão que as pessoas não aprendem propriamente nada, mas copia e repete, inttegrando os conceitos que já foram definidos. Também é interessante, principalmente se tencionas criar algo com o conhecimento que tens, mas caso não tenhas essas aspirações, é sem dúvida mais conteúdo que poderá criar “desassossegos”.

Não concordo contigo na parte de criar uma “noção mística”. Quero estar em paz com o não conhecer, tendo a consciência disso, preservando-a, sem criar um conhecimento místico ou imaginário para preencher o lugar. Bem pior do que a ignorância é a informação errada.

Seria uma discussão para ter, entre a ignorância e a informação errada. Quem é ignorante, significa que não quis aprender sobre um qualquer tema. Quem é errante, significa que quer aprender sobre um qualquer tema. Se nesta vida, para sempre iremos aprender, só quem não erra é que não pode aprender.

A ignorância não vem necessariamente de não querer aprender. Em muita coisa que ignoramos nem sequer fomos confrontados com essa possibilidade, simplesmente desconhecemos em absoluto a sua existência. Noutros casos sim, optamos por não saber mais, o que é perfeitamente justificável, face ao tempo finito que dispomos de vida e também, à nossa reduzida capacidade de armazenamento de informação. Aquele que quis aprender sobre algo e fez um esforço válido nesse sentido, pode mesmo assim permanecer ignorante sobre a totalidade da matéria, ou até mesmo errar sobre aquilo que sabe, mas isso é bem diferente de não ter preocupação nenhuma. Não fazer esforço para adquirir conhecimento certo e simplesmente inventar noções místicas sobre o tema.

Não discordando, tenho uma opinião diferente quanto à especulação da probabilidade, face ao desconhecimento e ao inexplicável. É que, todo o ser que procurou compreendeer, especulou sobre a probabilidade, sendo que uma maioria terá lido sobre o conteúdo que queria conhecer, os que acabaram por ensinar, aprenderam via essa especulação que inventa probabilidades, como apontadores de verdades. O misticismo não é mais do que essa sensação de estranheza, aquando confrontados com o desconhecido, sendo que a mística é uma disciplina humana, isto é, do foro da sensibilidade humana. Foi assim que a ciência andou durante séculos. Como poderia um cientísta acreditar que a dor expressa pelo cão que está a ser violatado, é uma resposta mecânica e como tal, o animal não sente nem tem emoções? O Big Bang também poderá ser misticismo e especulação, de quem é capaz de imaginar e a partir daí, criar. Novas teorias, verdadeiras ou falsas pouco interessa para esta resposta, mas interessa sim, sublinhar a capacidade de criar a partir do que já conhecia. E por isso, sendo que a teoria do Big Bang é especulatória, ela faz parte da mística, isto é, de uma tentativa de explicar algo que continua a não ter explicação e por isso, entre “deus criou” ou “um atmo explodiu”, ambas as afirmações são verdadeiras e falsas ao mesmo tempo. O que seria da filosofia sem essa tentantiva racional de encontrar uma explicação do abstrato e da realidade? Dai que todas as teorias filosóficas, poderão ser somente especulações, sendo que são apontadores, perspectivas. Por isso, entre a visão puramente racional, que se desliga do ser que sente e que tem capacidade de imaginar e como tal, criar, gosto da perspectiva criativa, que atribuí simbologia e significado ao que já existe como evento, para explicar o que nessa perspectiva criativa, é possível compreender. [Só tentou criar uma explicação criativa, sendo que a puramente racional, também o é, mas a linguagem é mais abstracta do que objectiva. Curiosamente]

Uma crença em algo sobrenatural ou misterioso, só porque sim, é diferente da formulação de hipóteses e das posteriores tentativas, feitas para procurar verificar a sua possível validação como a ciência o faz. É claro que a especulação está presente nessa formulação mas são cenários diferentes.

O cenário é igual, pois é simplesmente alguém a tentar explicar algo, sendo que a formulação é diferente. Portanto, o que muda é simplesmente a forma de explicar, sendo que nesse aspecto, continuo a gostar das duas formulas. Não é relativo a algo “sobrenatural”, mas natural, que por desconhecimento o torna místerioso. As galáxias e os buracos negros, nada têm de “sobrenatural”, sendo que os efeitos dos seus eventos, cria aos atentos, sensações corporais que traduzem o tal lado “místico”. Pessoalmente relaciono o “místico” ao lado puramente sensorial, isto é, animal, que é também o que somos. Naturalmente que não nego o lado “racional”, sendo esse lado pouco animal. É o que tentamos ser, mas nem sempre somos capazes de ser.

Seja como for, ambas teorias tentam explicar e, com ou sem explicação absoluta, ambas são potencialmente verdadeiras e falsas ao mesmo tempo, tal como o Solipsismo o é. Eu cá gosto de associar as sensações corporais criadas ao ouvir música, com o que é místico. No fundo é o meu cérebro a reagir ao som, que na sua capacidade de imaginar, criam-me sensações. Como não sou eu que estou a crontrolar o meu imaginar, dou-lhe o nome de sensações místicas. Sensações agradáveis ou desagradável, são o resultado de algo que não é controlado por mim, mas pela capacidade de imaginar que o cérebro tem, sem eu ter controlo total, sobre esse efeito. Racionalmente, podes negar essas sensações, mas elas não deixam de existir. E sabe-se que o lado místico tem muitas falácias, mas esse é o lado romântico dos sonhadores. No fundo, é isso que tem graça. É a formula romântica como o lado puramente “místico”, inspirou os que, descreveram um “algo”, que explica “algo mais além desse pequeno algo”. É parte da técnica usada na literatura, não só infantíl. Creio que os textos ciêntificos, também tentam descrever “algo” que explica “algo além desse pequeno algo”, pois o exercício mental é somente comparativo, para sermos capazes de validar a informação. Portanto, o “místico”, tem origem antes de tudo, nos eventos psíquicos dos individuos, que podem leva-lo a tentar explicar a realidade, via a sua sensibilidade e capacidade de imaginar. É um pouco como nos ensinamentos que podemos retirar dos textos. Os ensinamentos antes de aprendidos, são desconhecidos e como tal, místicos. Os ensinamentos também só podem ser aprendidos, caso usemos a lógica, isto é, a auto-comparação da informação. Só assim somos capazes de identificar conteúdos. Eu cá, continuo a gosto do aspecto criativo de como a arte tenta “falar” de conteúdos, sem alguma vez “falar” alguma coisa. Isto é. Só na apreciação do objecto artístico, somos capazes de reconhecer algo que faz parte da peça, como algo que existe previamente em nós. Caso contrário, a peça não poderia criar sensações.