É curioso que quase todas as religiões do mundo ou até todas as pessoas sem religião, têm como hábito agradecer a Deus(Universo) quando algo de positivo lhes acontece, mas como é que alguém lida com o mal que lhes acontece? Como poderá alguém estar agredecido a Deus quando algo de mal nos acontece?
A Betel é um dos vários grupos da sociedade na actualidade que a meu ver usa mecanismos positivos, na sua necessidade de integrar individuos na sociedade que estariam a viver condições de grande fragilidade. É numa dessas casas, que gosto de ver os objectos que têm à venda e por consequência de falar sobre o tema de Deus. Hoje pela manhã questionei, como é que alguém lida com o facto de que, deveria sentir-se grato perante Deus, por lhe ter sido retirado, ora as pessoas mais queridas, ora terem ficado incapacidos de livre movimento, como exemplo ficar sem pernas ou como resultado de um acidente ou doença.
O Sr. que é o "Director" e Gestor do fluxo comercial dessa loja, é alguém que gosta da Biblia e também gosta da noção de Deus, extraindo o lado bom que o livro tem para oferecer e como tal, um defensor quase compulsivo da Bibla e de Jesus Cristo. Antes de mais gostava de partilhar que existe neste senhor, uma consciência de que Cristo foi realmente Vitimizado pelo corpo Judicial nesse seu tempo e claro como um "Salvador", pois é a partir dessa perspectiva de ver o Inocente a ser Vitimizado, que a sociedade foi capaz de mudar de comportamento e ficar mais sensível às fragilidades dos outros.
Então questionei: "como é que lidamos com esta situação, na qual perdemos algo que em princípio é essencial? Uma Sra que também por lá passeava, diz: "É para nos mostrar novos caminhos" e eu cá achei que a sua resposta era totalmente válida, mas pronto, o sentimento de perda continua presente. Entretanto o tal Sr director e gestor daquele espaço, fala de Culpa dizendo "Temos de culpar alguém". É esta frase que me deixa um pouco "perturbado", pois caso alguém culpe Deus, estará então a tentar julgar Deus e claro está que, ao ter o "Livre Arbítrio", pode culpar Deus pela degraças que lhe aconteceu.
Entretanto, porque o tema é infinitamente interesante para mim tal como sempre foi para muito outros, fiquei a pensar... Poderia tentar atingir um sentimento de aceitação e via essa aceitção, o mal que me aconteceu torna-se mais suportável, sem alguma vez atribuir culpa a algo que sou incapaz de ver e como tal, incapaz de apontar o "Dedo", nessa noção do "Julgamento", mas claro que poderemos atribuir culpa das nossas ações ou escolhas na realidade.
Por isso, na noção de aceitação da existência de Deus, não Devo atribuir culpa nem agradecimento a esse mal nem ao bem, devo sim, desenvolver em mim a capacidade de aceitação do que não posso controlar. É como pensar nas guerras que existem no mundo. É claro que ao saber que são pessoas, a culpa de haver guerra será atribuída a essas pessoas que a produzem, mas como não as posso controlar, para lidar com esse sentimento de impotência, desenvolvo em mim a capacidade de aceitar e como tal, ignorar sofrer por algo que não posso mudar. Deus continua a existir e como tal, será que essa perda é uma espécie de "Julgamento"? (uma espécie de maldição pois algo essencial deixou de existir?)
Não sei, mas se fosse, o "julgamento final" poderia ser somente esta noção de perda durante a vida que é finita e como tal, o julgamento em vida (do que nos acontece e que não foi produzida por outros de forma propositada) é uma espécie de "Julgamento" que tem um Fim Real, pois a nossa percepção do que tem um Fim, só pode acontecer durante o tempo em que temos capacidade de sentir, isto é, temos um Corpo consciente. Por isso e lá no fundo, esta permissa poderia ser considerada verdadeira, pois o Julgamento Final estará relacionado inteiramente a essa Vontade da Continuidade, que é a vida por si só, como experiencia de consciência e que seria manipulada por Deus.
É claro que, se me vejo capaz de fazer certas simplicidades, posso atribuir uma espécie de injustiça de Deus, perante todos os outros que são incapazes. Gostaria que todos fossem capazes, mas a variedade das capacidades é de tal ordem diversa, que talvez não seja capaz de ver a tal simplicidade que Deus quer oferecer. E se oferece aos Corpos, tenta oferecer às Almas que O percepcionam, sem alguma vez serem capazes de O ver.